Núcleo Decide promove seminário sobre consultoria em tomada de decisão | FEA-USP

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    No último dia 6, a FEA recebeu três profissionais atuantes em consultorias para o seminário “Consultoria em tomada de decisão: desafios práticos e teóricos”. Este foi o terceiro evento promovido neste ano pelo Núcleo Decide, grupo de pesquisa do Departamento de Administração da FEA; os dois primeiros abordaram os riscos na área naval e a psicologia econômica das decisões. Já este último foi centrado nos desafios e perspectivas do trabalho das consultorias que utilizam a Teoria da Decisão como ferramenta.

    Os primeiros palestrantes foram Marcos Avó e Ricardo Altmann, da Lunica Consultoria, que apresentaram a experiência prática da empresa, fundada em 2004. “Desde o início entendemos a Teoria da Decisão como um diferencial na nossa consultoria, nem sempre fácil de vender, mas que influi muito positivamente no resultado final”, diz Ricardo. Ele avalia que esta ferramenta é importante por poder ser combinada com muitas outras metodologias e competências, inclusive as que já são praticadas dentro da própria empresa.

    Organização e transparência

    Segundo Ricardo, a Lunica organiza o processo decisório em cinco grandes etapas. A primeira corresponde à estruturação do problema decisório, isto é, a definição da área de atuação da empresa, de seus objetivos, da situação do mercado. Nesta fase, a Teoria da Decisão ajuda a organizar as informações, proporcionando uma compreensão melhor do contexto. O trabalho da consultoria inclui ainda a projeção de cenários futuros, que podem completar a estruturação do problema, organizando possíveis incertezas.

    A segunda etapa é a geração, organização e comparação das possíveis alternativas. É a partir dela que são definidas as grandes diretrizes do negócio, como o mercado alvo e o tipo de projeto. Em seguida, vem a avaliação das alternativas, que pode ser baseada em diferentes técnicas, adaptadas à natureza do problema e às expectativas do setor. Após estas três etapas preparatórias, vem a decisão propriamente dita – que consiste na locação de recursos na alternativa escolhida – e sua implementação.

    Ricardo destaca que uma parte importante do trabalho é o diálogo: “Acreditamos que a consultoria deve ajudar a amadurecer a decisão, mas quem deve tomá-la é o cliente”. Justamente por ser baseado na transparência, este método esbarra em algumas dificuldades: além da falta de conhecimento em Teoria da Decisão por parte dos clientes e parceiros – afinal, há pouca literatura sobre o assunto em português -, o processo pode se chocar com a cultura do cliente, ao interferir na hierarquia e nos jogos de poder internos à empresa.

    Metodologia adaptada ao cliente

    Já Rudolf Rosas Flunger, da Flunger & Company, apresentou a base teórica que norteia a ação de sua empresa, constituída por três grandes pilares interdependentes: o processo de decisão, que é contínuo e dependente dos valores dos decisores e da formação de um consenso entre eles; a dinâmica de sistemas, que é o estudo do sistema a partir do princípio de que os fluxos de informação e a estrutura de seus elementos determinam o seu comportamento; e a chamada “metodologia multicriteria de apoio à decisão”, isto é, a avaliação e ordenação de múltiplos critérios, às vezes conflitantes, e informações incompletas em busca do curso de ação mais eficiente. Baseado nesta metodologia, Rudolf prefere falar em ações e não em alternativas: “A palavra ‘alternativa’ supõe uma escolha entre várias opções separadas e a exclusão das demais. Às vezes, não se trata de fazer uma seleção; uma descrição adequada do problema já pode permitir a tomada de decisão”.

    Em seguida, Rudolf apresentou uma série de cases atendidos pela Flunger & Company, mostrando como a Teoria da Decisão participou da resolução de cada um. A partir da experiência prática, o consultor coloca ainda algumas dificuldades enfrentadas pela empresa: uma delas é a própria formulação e definição precisa do problema, uma vez que as questões que dizem respeito às esferas gerencial e estratégica são difusas e não há uma metodologia universal para lidar com elas. Outro desafio é a “gestão da complexidade”, isto é, a dificuldade que muitos decisores têm em lidar com a responsabilidade de tomar decisões num cenário de instabilidades e incertezas.

    Autor : Marina Pastore/USP

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      3 Comments to "Núcleo Decide promove seminário sobre consultoria em tomada de decisão | FEA-USP"

      1. w9 form says:

        Key to understanding why some initiatives fail is to look at the “balancing loop” and not the “reinforcing loop.” Organizational dynamics.

      2. it was a very interesting exchange of experiences between professionals and academics

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